Budapeste em dois dias

Missão impraticável? Talvez não, foi o que me propus a fazer com um casal de amigos brasileiros que moram em Londres e tinham somente o final de semana para me visitarem e conhecerem essa cidade incrível. Confesso que quando recebi a notícia pensei “Impossível conhecer Budapeste nesse tempo!” e de fato ainda penso dessa forma, no entanto o que conseguimos fazer em dois dias foi satisfatório para mostrar as coisas mais importantes da cidade, bem como o estilo de vida pitoresco e seus encantos mais famosos. Claro que tudo foi superficial, porém  suficiente para dar aquela vontade de voltar e viver tudo mais intensamente. Devido ao sucesso do nosso roteiro, achei justo compartilhar, de antemão alerto que deu certo porque estávamos cheios de energia, a temperatura estava agradável (meados de Agosto) e a empolgação em níveis máximos. Qualquer alteração nesses tópicos pode causar fracasso no planejamento, então ânimo!

Calculando rota...

Calculando rota…

Partindo do aeroporto, a primeira parada foi o flat alugado para os dois dias, a localização era perfeita – em frente ao Szimpla – e, sem dúvidas, a melhor opção para quem quer privacidade e conforto a um bom preço. Depois de abandonar as mochilas, seguimos essa ordem:

Como o CENTRAL MARKET HALL (1) não abre aos domingos e aos sábados fecha as 15 horas foi o nosso ponto de partida e uma ótima escolha pois além de resumir a cultura húngara já adianta as compras de souvenires e permite as primeiras experiências gastronômicas. Não é o local mais barato para comer os famosos lángos e goulash, buscando regiões menos turísticas esses pratos são mais acessíveis, no entanto nada melhor que experimentar a comida típica local em pequenas mesas com poucos bancos, rodeado por cheiros exóticos, turistas curiosos e barulhos de cozinha. Um jeito maravilhoso de iniciar a jornada, comendo bem e apreciando a arquitetura única do mercado finalizado em 1896.

Central Market Hall

Central Market Hall

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Sementes e grãos

Uma passadinha rápida pela PONTE DA LIBERDADE (2) ou Szabádsag Híd para fotos e aquela vista do Danúbio, andamos pela Fövam Tér e seguindo pela VACI UTCA (3) foi possível conhecer mais do artesanato local, construções e sorvetes. Parada na ELIZABETH BRIDGE (4) ou Erzsebét Híd com o mesmo objetivo, uma visão mais próxima da querida PONTE DAS CORRENTES (5) que foi nosso destino depois de uma pausa na VÖRÖSMARTY TÉR (6). A Chain Bridge ou Széchenyi Láncihíd apresenta o melhor de Buda e seus leões convidam à travessia, mas calma, o outro lado do rio está nos planos do segundo dia.

Chain Bridge e seus leões

Chain Bridge e seus leões

Contornando o mapa – e segurando a curiosidade dos turistas que queriam ir até o Parlamento – a Zrínyi utca nos levou até a impressionante BASÍLICA DE SANTO ESTÉVÃO (7) e certamente foi a melhor escolha de trajeto, admirar a imensidão da Basílica no final de tarde não tem preço, entramos e aproveitamos alguns minutos de celebração, admiramos os ornamentos dourados, azuis e vermelhos, emoldurados por uma arquitetura surpreendente. Na saída, o famoso sorvete em forma de flor, cujos sabores exóticos antecipam a vontade de devorá-lo, mas a arte a atrasa. Sobre os sabores? Chocolate branco com lavanda, limão com manjericão, óleo de oliva, cappuccino, banana, etc.

Basílica de Santo Estevão

Basílica de Santo Estevão

Sorvetes de flor com saberes exóticos!

Sorvetes de flor com saberes exóticos!

Depois de sorvete e descanso, mais uma caminhada cercada por belas construções, logo estávamos na DEÁK TÉR (8). E como não amar aquele lugar? A praça, os bares, o gramado, a roda gigantes, as pessoas bonitas e alternativas que desfilam por lá. O sol se pondo deixou a Deák ainda mais especial. Após um lanche rápido para não perder o ritmo, rumamos à PRAÇA DOS HERÓIS (9) ou Hösök Tere. Admito que esse trajeto foi longo, afinal são 2,7 quilômetros, amenizados pela beleza da ANDRÁSSY UT (10) que é passagem obrigatória para um turismo em Budapeste. Mas o cansaço desapareceu no momento que a indescritível Heroes’ Square. A lua cheia deixava tudo mais impressionante, o amplo espaço abraçado pelos heróis, o Anjo Gabriel recebendo os visitantes e ao mesmo tempo apresentando com certo orgulho a história do país, além dos imponentes cavalos no centro de tudo. Para mim, no ranking dos mais lindos monumentos da Europa. Sou suspeita ao comentar sobre esse lugar, um dos meus preferidos em Budapeste, fico encantada com a grandiosidade e fidelidade das esculturas e, misteriosamente, a cada vez que a visito encontro um novo detalhe.

Sucesso na viagem!

Sucesso na viagem!

Como se não fosse suficiente aquela surpresa, fomos até o CITY PARK (11) ou Városliget, um parque público situado atrás da Heroes’ e repleto de castelos, museus e lindas arquiteturas que a noite ganharam um ar fantástico e quase assustador. A grande estrela do passeio foi o Vajdahunyad Castle, construído em comemoração aos 1000 anos da Hungria, nos transporta aos contos de fadas e ainda abriga o maior museu de agricultura da Europa.

Vajdahunyad Castle e Museu da Agricultura.

Vajdahunyad Castle e Museu da Agricultura.

Transbordando deslumbramento, terminamos a noite no exótico e único SZIMPLA KERT (12) e, como já mencionei, um lugar imperdível para qualquer visitante. A única expressão que pode traduzir é “sem conceito”, os próximos adjetivos você tenta encontrar lá dentro.

Uma noite de sono bem proveitosa e no domingo o sol nos dava bom dia, chamando para mais um extenso roteiro.  Que tal um Szimpla já pela manhã? Mas nada de cerveja matinal, a ideia era conhecer um pouco mais do cotidiano húngaro na feira de produtos que o bar expõe todos os domingos entre as 9 e 16 horas. O agitado e barulhento Szimpla da noite anterior se transformou em um lugar calmo e familiar, recheado de sabores, sons e aromas. Eram pães, queijos, salames, páprica, frutas, legumes, geleias e outras curiosidades da cozinha húngara que não consigo explicar. Ao som de bossa nova e saxofone, tomamos um café com leite e devoramos as opções da padaria.

Salames na feira

Salames na feira

Bossa nova...

Bossa nova…

Café no Szimpla?

Café no Szimpla?

Brasileiros...

Brasileiros…

Como o flat vizinhava a DOHÁNY STREET SYNAGOGUE (13) tiramos algumas fotos e admiramos as cores amarelas da construção, além das homenagens aos judeus que podíamos ver no exterior da construção. Foi então que nosso plano de domingo resumiu tudo que há de mais maravilhoso em Budapeste, o Parlamento Húngaro e o Castle Hill. Fomos margeando o Danúbio, sentindo o vento e o admirando as embarcações, em poucos minutos encontramos os Sapatinhos em homenagem aos judeus, o SHOES ON THE DANUBE BANK (14) que simboliza o sofrimento desse povo durante a Segunda Guerra Mundial, como sempre rodeado por turistas de sorrisos discretos.

Sapatinhos no Danúbio

Sapatinhos no Danúbio

Em poucos passos estávamos no querido PARLAMENTO (15) ou Országház e essa é mais uma parte do passeio que eu não consigo explicar, a imensa construção assusta e nos retira todo tipo de expressão, uma mistura de imponência e aconchego, de plano e curvo, de alto e ainda mais alto e o orgulho dos húngaros por óbvios motivos. Nesse dia, devido ao curto tempo, não pudemos fazer o tour interno, mas recomendo a visita, são 45 minutos de história, beleza e excessos. Atravessando a MARGARET BRIDGE (16) ou Margit híd tivemos o melhor ângulo para fotografar o Danúbio, as construções e o sol. Já do lado Buda, andamos admirando cada ponto até chegarmos ao FURNICULAR (17) que leva até a CASTLE HILL (18) onde se encontra uma cidade impecável e importantes pontos turísticos.

Parlamento húngaro

Parlamento húngaro

Simpáticos furniculares

Simpáticos furniculares

Castle Hill

Castle Hill

A partir do momento que você está lá em cima fica difícil escolher qual lugar merece a ser visitado primeiro, o complexo que engloba castelo, museus, estátuas, fontes, etc., têm, entre tantas opções, a famosa MATTHIAS CHURCH (19) ou Mátyás-templom e a melhor visão do Parlamento na FISHERMAN’S BASTION (20) ou Halászbástya, um terraço construído em 1902 que homenageia os moradores locais, em especial pescadores, e os sete reis das tribos Magyar. As histórias são infinitas, cheias de batalhas, casamentos, reinados, invasões, disputas e conquistas. Vale a pena a visita com tempo para quem tiver oportunidade.

A coroa

A coroa

Igreja de São Mathias

Igreja de São Mathias

Vista da Fisherman's Bastian

Vista da Fisherman’s Bastion

Infelizmente o dia estava acabando, o final de semana repleto de cultura, aventura e muita caminhada foi pequeno para tantas emoções, entretanto ideal para criar um lugarzinho especial para Budapeste na memória de cada um. Foram 20 lugares especiais da cidade em 48 horas, uma maratona incomparável.

Na despedida, a promessa de um retorno e a certeza de que Budapeste sempre encantará.

Tive a sensação de haver desembarcado em um país de língua desconhecida, o que para mim era sempre uma sensação boa, era como se a vida fosse partir do zero.”

(Budapeste – Chico Buarque)

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2 Respostas para “Budapeste em dois dias

  1. Sou húngaro e moro há 70 anos em Budapeste, mesmo assim fiquei encantado pelo post da Amanda. Sempre tenho problemas de itinerário quando quero mostrar minha querida cidade para visitants – Amanda, você acertou! Deve gostar nossa cidade tanto quanto eu amo a Cidade Maravilhosa 🙂

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