Princesas, paisagens e música

Hora de tirar a poeira dos arquivos e atingir as demandas! Depois de muito tempo sem contribuir por aqui – por irresponsabilidade, confesso – vou tentar suprir um pedido recorrente pela Funpage do blog: Mais informações sobre outras cidades da Hungria, por favor!

Mesmo Budapeste sendo a nossa minha favorita NO MUNDO não é a única surpresa da Hungria, esse país “excêntrico” impressiona em cada canto e consegue nos remeter às mais distintas sensações.

– Como que eu sei disso?

Graças aos passeios culturais oferecidos pela universidade durante o período de intercâmbio tive o imenso privilégio de desbravar dos mais comuns aos mais intocados lugares no país, alcançando estúdios de cinema, degustação de vinho, castelos, trilhas e lago.

– E como você ainda não compartilhou tudo isso?

É aí que entra a parte que eu peço desculpas e tento corrigir a situação!

A parte mais complicada foi escolher por onde começar, afinal, revirando os arquivos descobri que o primeiro passeio foi em outubro de 2013 (Ooo my!) Então, o critério mais justo foi categorizar através do que eu lembro com mais facilidade, ou seja, um dos últimos – que também já faz tempo – em agosto de 2014.

– Explicado, desculpas aceitas, segue o roteiro.

Vamos começar com Veszprém por dois motivos bem fáceis: 1 é perto do Balaton e pode ser a abertura de um final de semana divertido no lago e 2 é uma das cidades mais antigas da Hungria, então com certeza tem muita curiosidade e história para mostrar, atingimos assim duas grandes vontades da maioria de nós brasileiros, cultura e diversão. Se você conseguir realizar esse passeio no verão, coloque a palavra “diversão” em capslock, porque o Balaton se transforma na praia Húngara em dias quentes e dá para relaxar e farofar conforme os nossos costumes. o/

Como a gente não segue normas lógicas, iniciamos com o ponto 2 e um pouquinho de história:

Duvido que você pesquise qualquer coisa sobre Veszprém e não apareça nas primeiras linhas a expressão “Cidade das Princesas”, isso tudo começou quando a Princesa Gisela (985 – 1065), a esposa do Rei/São Estevão e favorita de todos os húngaros, declarou-se apaixonada pela  cidade, devido a sua popularidade a notoriedade perante os outros impérios as notícias sobre as belezas do local se espalharam rápido e em pouco tempo o Castelo de Veszprém já era visado pelas moças de outros reinados, inclusive Elizabeth séculos depois.

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Vista linda de Veszprém

Devido a essa história de amor entre Gisela, Estevão e Veszprém, a cidade os homenageou com suas estátuas no seu ponto alto onde a vista é muito privilegiada, há também uma capela que leva o nome da Princesa e armazena UM de seus ossos, isso mesmo, um.

Rei Estevão e Gisela

Rei Estevão e Gisela

Sobre o nome da cidade há algumas controvérsias, uma das opções é que a Princesa Judite (irmã mais velha do famoso Rei/Santo Estevão) foi expulsa de casa pelo seu marido (o polonês Baleslau I) e, junto com seu filho, se estabeleceu nas terras onde hoje se encontra Veszprém, na teoria, esse menino teria dado o nome à cidade, que vem de Bezprym um sobrenome eslavo. A segunda opção, é que quem batizou a cidade foi o chefe de uma tribo que não tem nada a ver com a família real e fim, sem emoções e sem traições. (Mesmo parecendo história do Manuel Carlos, eu prefiro a primeira versão.)

Alguns blogs retratam a cidade como quieta e tímida, onde a atmosfera é o maior ponto turístico, há sugestões de pausas para ouvir os sinos, observar as construções, perder-se entre as quadras e vielas e até ouvir as estátuas. Concordo com tudo isso mas confesso que não fui tão profunda sentimentalmente durante a minha visita, contudo pude sentir realmente um clima diferente, talvez pela destruição ainda estar latente entre as pessoas ou talvez pelo silêncio atípico de outros centros turísticos. O fato é que, na minha opinião, existe alguma coisa não aparente que dá a sensação de devastação.

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Ruas de acesso aos pontos principais

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Tranquilidade na paisagem

Capricho nos detalhes

Capricho nos detalhes

Hey! Não deixa o clima pesar! Vamos para o ponto 1, como chegar nessa cidade tão fofinha.

A primeira opção é sempre o trem que funciona muito bem na Hungria, não é caro, tem uma grade de horários mais que satisfatória e é confortável. De acordo com o site da MAV, saindo de Budapeste, são 112 km de distância com uma duração de aproximadamente uma hora e meia e investimento de 2.675 Ft.

De carro relembro àquelas questões que comentei nesse post sobre as rodovias pedagiadas, utilizando a M7 sentido Balaton são 122 km, alerto que essa opção exige que sejam pagas taxas de utilização. A alternativa para fugir do pedágio é usar a estrada 7 passando por Székesfehérvár, o que acarreta em um aumento no trajeto resultando em 162 km de distância. Independente da escolha cuidado para não seguir o caminho de Siófok, cidade do lado oposto do lago e sempre pesquise as rotas antes de viajar para saber se há alguma obra ou mudança.

mapa

Rotas e chance de erro!

A opção do ônibus é sempre válida também, basta olhar os horários no site.

Agora que você já sabe a história, já sabe como chegar, vamos definir o que fazer por lá. A maioria das atrações envolve admiração de paisagens, que realmente merecem ser apreciadas, as montanhas que circundam o local dão uma sensação de sossego e os jardins são muito bem cuidados. As construções não fogem muito do estilo húngaro, as mais antigas, infelizmente, foram bastante prejudicadas pelo tempo, mas ainda assim segue uma lista de atividades bem suficientes para um dia de turismo. Prepare o tênis, a câmera e protetor solar:

1. Castelo de Veszprém: triste saber que o castelo não existe mais, ou existe, mas em uma versão totalmente reformada e quase atual. Devido às invasões e destruições restaram poucas partes da construção original do castelo preferido de Gisela, nunca saberemos por que a princesa o adorava, mas as reformas serviram para abrigar um pequeno museu sobre o exército, as lutas e o próprio castelo – não posso recomendar porque não o visitei, mas como o valor do ingresso deve ser simbólico e o tempo de visita bem rápido, acredito que vale conferir. O portão que faz parte da no museu foi construído em homenagem às vítimas da primeira guerra mundial. Ambas as construções não são impressionantes quando comparadas às demais cidades húngaras já que são datadas de 1936, mas cumprem o papel de manter o local vivo.

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Portão em homenagem às vítimas da guerra

DSCN5817A estátua de São Estevão e Gisela: esculpida em 1938 em homenagem aos 900 anos da morte do Rei Estevão. Ótimo local para tirar fotos da cidade e do grupo de amigos!

Amigos!

Amigos!

Cruz de São Benedito: pertinho da estátua do Rei e da Rainha se encontra um caminho que leva até a cruz. Nesse local foram encontrados em escavações objetos funerários da época da conquista húngara, além disso, os turcos usaram aquela montanha como cemitério. Isso tudo soma o espaço como mais um símbolo da luta do país, foi construído em 1904 e restaurado em 2005.

Caminho até a cruz

Caminho até a cruz

Cruz de São Benedito

Cruz de São Benedito

Capela Gisela: construída no século XIII com estilo gótico e influências bizantinas foi descoberta em 1760 durante escavações para a construção do palácio do bispo. É permitida a entrada de visitantes, mas fotos são proibidas. Também não visitamos, mas como é pertinho das outras atrações vale o esforço.

Torre de Fogo: construída originalmente no século XIII para servir como torre de vigia, fazia parte do complexo do castelo, depois passou a ser utilizada como torre de identificação de focos de incêndio e daí o nome. São 48 metros de altura que podem ser escalados através de uma escada espiral, lá de cima uma vista 360 graus da cidade. A curiosidade é que no alto da torre há um relógio que a cada hora toca músicas compostas por Antal Csermák, famoso artista húngaro. As visitas na torre são abertas ao público de março a outubro entre 10h e 18h, o valor do ingresso naquela época era de 300 Ft, com desconto para famílias e grupos.

Torre de Fogo (ignorem a ambulância)

Torre de Fogo (ignorem a ambulância)

Veszprém Viaduto: ponte construída em 1938 que liga duas montanhas Jeruszálem Hill e Cemetery Hill, tem 185 metros de comprimento e 37 de altura. Lá de cima, uma vista bonita das colinas, aos admiradores de engenharia as fotos por baixo da ponte mostram os detalhes da estrutura.

Viaduto Veszprém

Viaduto Veszprém

Vista sob o viaduto

Vista sob o viaduto

Para encerrar o post uma dica preciosa! Veszprém também é muito famosa pelos festivais culturais e a boa gastronomia. Como fomos em julho, conseguimos pegar a última noite do Street Music Festival, onde a cidade respira música, recebe artistas de vários lugares e exibe os mais diferentes ritmos, além daquela cerveja barata e comidas de rua bem gostosas!

Festival em 2015

Festival em 2015

Desculpa pessoal, estou um pouco destreinada em compartilhar as experiências por aqui, então me perdoem pelo excesso ou a falta de informação, acredito que mais algumas práticas e eu retomo o jeito!

Última dica: a Universidade de Veszprém ainda recebe brasileiros, se comuniquem pelo Facebook e troquem ideias com quem ainda mora lá e vive o clima da cidade, além de informações preciosas, você ainda faz amigos e quem sabe economiza na hospedagem! ;]

Aqui, aqui e aqui alguns links que podem ajudar. Esse é o meu favorito!

Obrigada pela paciência e não desistam da gente!

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2 Respostas para “Princesas, paisagens e música

  1. Gostei muito….mas, gostaria de saber se existe ou existiu uma cidade chamada Siem na Hungria…..
    Abraços….Pechtoll

    • Oi José, pesquisei, procurei, passei pelo Maps todo e não encontrei nada com esse nome. Temos duas opções, ser uma vila bem pequena ou ser o nome antigo de alguma cidade. Se souber de alguma coisa te retorno! ;]

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